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Argentina 1 x 0 Uruguai

Tive um momento de nostalgia, ontem, assistindo ao clássico Uruguai x Argentina, que valia vaga na Copa da África. Diante de medrosos argentinos e afobados uruguaios massacrando a bola, imbecilizando o ato de dar passes triviais, desaproveitando ataques paridos a muito custo, lembrei dos anos 80. De um lado, Maradona, Caniggia. Do outro, Ruben Sosa, Francescoli, Ruben Paz. Times de outra estatura. Equipes que honravam a tradição sulamericana e protagonizavam duelos inesquecíveis. Hoje, entretanto, a ruindade de ambos chega a envergonhar.

ARGENTINA
O craque Messi é alvo débil. Desarmá-lo é quase uma obrigação. A lentidão de seus dribles e de sua movimentação irrita. Compôs, ao lado de Higuain, um ataque incapaz de importunar a defesa adversária. Quem joga bom futebol nesse time é Verón. Trinta e tantos anos, está sempre se apresentando para receber a pelota e trabalhar na armação de sua equipe. Os hermanos, com suas limitações à parte, vão à Copa. E não é concebível a ausência de Riquelme. Estivessem os argentinos dispondo de um timaço, aqueles critérios comuns a mulherzinhas, que envolvem ciúmes, intrigas, e que tiram Riquelme das convocações (fico pasmo…), seriam plausíveis. Mas a atualidade cruel pede com urgência a volta do camisa 10 do Boca.

URUGUAI
A posição de inferioridade que os uruguaios ocupam no cenário internacional futebolístico é justificável e, quiçá, merecida. Ir a Copas do Mundo não é mais obra da normalidade; é preciso montar um time, realizar um trabalho, e os uruguaios não conseguem ir tão longe (nem sei se tentam). No jogo de ontem, a Celeste fez o mesmo que tem feito nos últimos anos: jogou com ansiedade, abriu mão da técnica e confiou na sua tradicional garra, entendendo que a mitologia se materializaria e a vitória fosse se concretizar a qualquer momento, de preferência nos instantes finais, com uma dose de dramaticidade.
Mais uma vez, o Uruguai vai à repescagem. Seria uma boa razão para investir num projeto sério e trazer de volta os anos dourados.

Dunga, quem diria, vai à Copa. Espanto. Abalo. Susto. Choque.
Como se não bastasse, treina o time a ser batido no momento, ou seja, sua ida à Copa da África não é obra do acaso. Escala Gilberto Silva e Elano e vê seu meio de campo dominar solidamente a Argentina, (outrora) poderosa Argentina, assim como já o tinha feito diante de adversários tradicionais e perigosos, como Espanha e Itália. Só por isso Dunga já merece respeito, ou não? Afinal, quem tem peito para escalar no mesmo time Gilberto Silva e Elano? Quem tira do time o prodígio Ramíres sem dar a menor satisfação para ninguém?
Outras seleções do mundo pagariam milhões para convocar Ânderson, Diego, Fábio Aurélio, Denílson (Arsenal)… Dunga nem lembra que eles existem, e ainda deixa Daniel Alves, considerado na Europa o melhor lateral do mundo, no esquecimento da reserva, servindo como mera opção para o meio quando um titular cansa.
Convoca Júlio Baptista e Josué, e como não respeitar um técnico que chama para seu time esses dois? Pois Dunga QUER tê-los a seu lado, contrariando a lógica. Uma excrescência cerebral.
Dunga bancou um monte de jogadores meia-boca em nome da coletividade, um conceito muito presente em sua cabeça desde os tempos de “jogador”, mas confesso que só vou dar o braço a torcer quando ele desistir de Robinho. O reserva do Manchester City é o mais improdutivo entre os selecionados, mas conta com a inexplicável simpatia do treinador. Robinho é objeto de teimosia, pura e simples. OK, dá pra convocá-lo, afinal não temos uma safra de atacantes tão boa a ponto de podermos desprezar Robinho, mas a titularidade absoluta é uma demasia, uma extravagância de Dunga. Não precisava.
O quê? Dunga vai à Copa?
Vai.
Classificado com três rodadas de antecipação, campeão da Copa das Confederações, campeão da Copa América. Eis Dunga, contestado, idiotizado, crucificado, atrofiado, zangado, e favorito a vencer na África do Sul.

voa, canarinho voa

Temos aqui um fato peculiar: o número cada vez maior de amantes do futebol que ignoram a seleção brasileira (os mais radicais chegam a torcer contra), alegando, entre outros, falta de identidade com o time canarinho.
Por absoluta ignorância, não tenho conhecimento de fato parecido em outros países, mas aposto minhas pelotas que tal fenômeno não se repete com tamanha eloquência em outras terras. Pelo contrário. Torcedores parecem fiéis às seleções de seus países, a julgar pela lotação esgotada nos estádios em dias de jogos de eliminatórias, ou até em amistosos internacionais.
O que esperar da seleção brasileira.
Eu, que tenho minha primeira memória no futebol advinda da copa de 82, na derrota para a Itália, espero ver dribles, futebol espetacular e muitos gols – embora saiba que isto não exista nem em videogame. E é algo que nenhuma outra equipe me faz crer exequível. Daí a frustração; se minha expectativa é por uma cerveza Norteña gelada, decepcionado ficarei se me servirem uma Nova Schin quente. 2006 é o caso célebre, mas como já foi esgotado, deixá-lo-ei de canto, até para poupar o solitário e desafortunado leitor que, persistente, ainda não mudou de site.
Quando meu time (clube) está em campo, quero vê-lo triunfar, e pouco me importa a qualidade de seu futebol – quanto mais destemida for sua performance, melhor. Aceito de bom grado uma vitória de meio a zero, com gol impedido aos 47 do segundo (acho que Lazaroni inventou esta definição, antes de perder a Copa de 90, quando ainda deixavam-no falar ao microfone), com aquele futebol feio, que cariocas e colorados tanto desprezam.
Quando me ponho a acompanhar uma partida entre 2 equipes pelas quais não nutro simpatia, espero jogo-bem-jogado, com chances de gol, nervos à flor da cútis, velocidade… enfim: aquilo que todo mundo espera de um bom jogo de futebol e nem sempre acontece.
Mas quando a seleção brasileira está em campo, eu quero mais. Não me contento com uma vitória suada contra adversário inferior, conquistada graças ao esforço de um ou dois jogadores que se salvam num contexto de ruindade generalizada. E como essa situação é bastante frequente, muitas vezes me volto contra a seleção do país que tem Sarney e Collor no Senado, afinal, se somos tão superiores, se formamos tantos craques, por que é tão difícil escalar 11 e montar um time de qualidade e, acima de tudo, com hombridade?
A história recente da seleção mostra que somos mestres em escalar equipes de traficantes/usuários de drogas e fanáticos religiosos. E o que dizer dos cortes de cabelo? O estilo capilar de nossos viciados, digo, de nossos craques de seleção é de causar inveja, além de ser difusor de tendências estéticas entre a juventude.
Acredito que muita gente se identifique com o perfil de tipos como Adriano e Robinho, mas o repúdio é notório.
Se não é possível jogar um futebol vistoso, por que então não nos livramos dos maus elementos, que invariavelmente fracassam na tentativa de reviver a tradição do futebol brasileiro, e montamos uma seleção de jogadores aptos a praticar futebol com garra, técnica e aplicação tática? É claro que precisaríamos de um técnico para impor uma nova visão, menos contaminada e mais pragmática, sem CBF e patrocinadores interferindo na escalação da equipe, sem tanta gente interessada na valorização desse ou daquele jogador.
Quero poder torcer pelo Brasil tanto quanto um uruguaio vibra com sua Celeste.

Pois então. Depois de um período de férias, volto a este blog para assoprar a poeira e varrer as teias de aranha. Mas como tenho rinite, talvez não consiga ficar muito tempo por aqui sem espirrar e fungar. Prepare-se, solitário lenhador.

A análise da rodada 10 do brasileirão está em todos os sites do gênero. Não preciso comentar jogos que só acompanhei graças a este milagre da tecnologia chamado VT.

Vou dedicar minha atenção a algo bem mais emocionante que o campeonato nacional: o Cartola Sportv.

Meu time, o Supergrass, fez 57 pontos, numa rodada em que todo mundo ultrapassou os 70, tantos foram os gols marcados – vide Vitória x Santos. Meu problema foram as apostas no Fluminense; durante a semana o já demitido Parreira foi aos microfones declarar sua convicção de que o jogo em casa contra o Santo André seria jogado como uma final de Copa, tal a necessidade do tricolor carioca em deixar a zona de agonia da tabela. Acreditei e escalei no meu time Leandro Amaral no ataque, e o próprio Parreira como técnico. Ridículo (Fluminense 0x1 Sto. André).

Enquanto isso, no Barradão, Leandro Domingues e Roger destruíam o Santos e somavam muitos pontos no fantasy game do Sportv. Como não esperava muito do rubro-negro da Bahia, já que o Santos apresenta-se forte para o certame (na minha cabeça), nem cogitei escalar jogadores do Vitória no meu Supergrass. Erro grosseiro.

Quando somei os pontos e vi meu fracasso, procurei os jogos da rodada 11 para traçar uma estratégia de montagem de meu time visando à recuperação na classificação.

Normalmente, procuro escalar jogadores que tenham enfrentamentos fáceis pela frente, como quem joga contra o Náutico em casa, por exemplo. Jogadores que pontuaram abaixo de suas médias na última rodada também costumam dar bons resultados. De um jogo imprevisível como Flamengo x Palmeiras, fica difícil imaginar quem poderá se destacar, portanto vou evitar comprar jogadores destas equipes.

No mais, é contar com a sorte. Quem explica Marcinho do Atlético Paranaense como o maior pontuador da rodada?

o fim está próximo

A poucos dias de vermos mais um brasileirão chegando ao final, vou me prestar a fazer aquilo que mais tenho visto por aí, seja em blogues esportivos, programas de tevê focados em futebol e programas de rádio: a seleção do campeonato. Como eu sempre prefiro fugir do lugar comum antes de postar qualquer coisa, tentei achar uma maneira de escalar um time com outra abordagem Continuar Lendo »

O happy-hour já tinha acabado, mas o Grêmio voltou para a mesa com mais cerveja e prolongou a confraternização. O Palmeiras não resistiu e se afastou da bebedeira, enquanto o Cruzeiro segue vivo, embora já se percebam sinais evidentes de embriaguez. O favorito para erguer o caneco segue sendo o São Paulo. Ao que tudo indica, o último gole de Cerveja será dado pelos tricolores paulistas, apesar de sabermos que no futebol os matemáticos erram mais que Continuar Lendo »

O fator de desequilíbrio nos últimos anos no campeonato brasileiro é o técnico cujo nome intitula a postagem. Durante muitas rodadas tivemos a oportunidade de experimentar o doce sabor de um certame parelho, emocionante, com alternância de posições e resultados imprevisíveis. Pura ilusão Continuar Lendo »