O fator de desequilíbrio nos últimos anos no campeonato brasileiro é o técnico cujo nome intitula a postagem. Durante muitas rodadas tivemos a oportunidade de experimentar o doce sabor de um certame parelho, emocionante, com alternância de posições e resultados imprevisíveis. Pura ilusão.
Muricy, técnico do São Paulo, resolveu que era o momento de acabar com a brincadeira e partiu para uma arrancada fulminante, deixando os adversários comendo poeira e tornando-se o principal candidato à conquista do caneco.
Seus méritos são muitos. Antes de mais nada, o time do Morumbi é competitivo, inquestionavelmente. Tem presença ofensiva, contra-ataque, ótimo sistema defensivo e boas opções no banco de reservas. Mas o que mais impressiona é a capacidade de reagir em situações adversas, seja dentro de uma partida, ou mesmo frente a uma condição de inferioridade na tabela de classificação. Muricy encara os problemas de frente, conhece as soluções a seu alcance e, mais importante, sabe usá-las.
A vitória sobre o Internacional só não foi mais acachapante porque os tricolores foram respeitosos. Construíram o resultado e administraram o restante do jogo. Aos colorados restou correr (em vão) atrás de Dagoberto, ou assistir ao gol de Hugo após jogada ensaiada com o travessão. Foi como ver o Hulk esmagando um lutador de telecat.
Muricy sorri, e Muricy de bom humor é quase outra pessoa.
Logo atrás na classificação vem a Sociedade Esportiva TRAFFIC, mas suas chances são mais exíguas, dada a instabilidade da equipe dirigida por Luxemburgo (sem falar na instabilidade do próprio treinador). Seu elenco milionário não garante boas atuações, nem as cotoveladas de Kléber e sua competência natural para multiplicar hematomas nos rivais.
Já o Grêmio, de Celso Roth, não resistiu. Parou de pontuar no momento mais crítico do campeonato, a reta final. Como um maratonista asmático que desmaia nos últimos metros da corrida, o tricolor gaúcho agora luta para se manter no gequatro.
O Cruzeiro, do contestado Adílson Batista, afastou-se da disputa com a goleada sofrida para o Goiás, fora de casa. Carta fora do baralho.
O Flamengo perdeu sua chance de encostar nos líderes ao empatar com a Portuguesa dentro de seu território. O dado curioso é que Márcio Braga não falou mais em chopp. Por que será?