Por que eu ainda assisto a jogos da seleção brasileira? Não estou falando em torcer ou em secar, estou lamentando o fato de perder duas horas de minha vida vendo um amontoado de frouxos dar aquele espetáculo deprimente, demonstração de futebol mal jogado, displicência tática e desacertos dolosos que trouxeram constrangimento ao torcedor presente e mudança drástica de humor nos que esperavam um jogo minimamente próximo a futebol enquanto esporte.
No primeiro tempo, sabe-se lá a quantos minutos e segundos, o grande Kaká, celebrado membro da calçada da fama do Maracanã, foi cobrar um lateral pela ponta esquerda. Como ninguém se mexeu, como nenhum de seus companheiros se ofereceu para receber a bola, nosso camisa 10 ficou brabo e largou a pelota para que outro peão fizesse a cobrança. Acreditando que um reles lateral era tarefa aquém de seu colossal talento, Kaká virou as costas e fez como os demais: se omitiu, não se oferecendo como opção para Kléber, o encarregado do arremesso. Isto é Kaká. Este é nosso atual maior ídolo; este, de atuação pífia na pelada varzeana de ontem à noite.
Não querendo me alongar no comentário de um joguinho tão medíocre, vejo pertinência em lamentar a dupla de volantes da seleção, cujos nomes não mencionarei para evitar que a irritação corrompa a razão. A inaptidão que os dois demonstraram no transporte da pelota da defesa ao ataque foi tão veemente quanto sua já notória falta de qualidade na proteção à zaga, que toda hora se vê no confronto direto contra atacantes rivais. É uma dupla de medíocres, que podem – e devem – ser substituídos tão logo o técnico, sejá lá quem for, abra os olhos para o óbvio.
A essas alturas nem sei se a culpa é toda do Dunga. Mas chamarei de ignorante quem entender que o treinador não tem opções melhores para escalar uma seleção qualificada e competitiva. Com bons laterais e volantes competentes, monta-se um time apto a desenvolver um jogo moderno e veloz. Com os jogadores que têm vestido a camisa amarela por insistência e teimosia de Dunga, esta tarefa torna-se árdua e quase inexeqüível.
Quanto a Robinho, prefiro pensar que o jogo de ontem foi uma exceção, embora o tri-atleta da seleção e do Manchester City venha mostrando desempenhos sofríveis em seu clube no campeonato inglês, e desminta seus defensores e fãs (dentre os quais orgulhosamente NÃO ME INCLUO) cada vez com mais eloqüência.
Robinho é uma farsa.