[Em observância ao decreto publicado aqui, o post a seguir aborda a olimpíada de Pequim.]
Não que eu queira meter minha colher em esportes coletivos brandos e sem contato físico, mas falar do vôlei masculino do Brasil é quase o mesmo que falar da seleção de futebol: consideramo-nos os melhores, ignoramos o esforço alheio e só não ganharemos todos os títulos por galhofa do destino. Era tanta a certeza de que o ouro brilharia para o time de Bernardinho, que até reservei 2 horas do meu desca(n)so para acompanhar a disputa entre Brasil e EUA pelo lugar mais alto no pódio olímpico.
Na certeza de que assistiria ao atacante Giba assegurar o triunfo a nosso favor, o que vi foi um gigante estadunidense (com cara de suspeito de crimes sangrentos) chamado STANLEY destruir o sonho verde-amarelo com uma sucessão de petardos destinados a explodir na quadra brasileira, fazendo nossa impáfia cair por terra e a medalha de ouro se tornar um projeto para a próxima olimpíada.
Inúmeros foram os strikes que Stanley assinalou. A cada cortada ou saque do ianque carrasco, 3 ou 4 brasileiros se lançavam ao chão para tentar a defesa, iniciativa quase sempre inútil. Nas raras oportunidades em que evitavam o contato do míssil redondo com o solo, cabia ao levantador Marcelinho a armação do contra-ataque, distribuição e variação de jogadas. Em jornada de inspiração limitada, Marcelinho foi o cara da “bola nas costas” dos companheiros, simplificando a vida do bloqueio adversário, que chegava encorpado a cada tentativa desesperada dos atacantes brasileiros de corrigir o levantamento defeituoso.
Outro algoz mandado pelo Tio Sam para soterrar nossa petulância foi o levantador Ball. Lenhador autêntico, acostumado a lutar sem armas contra chacais e pumas, o ruivo foi o perfeito articulador das ofensivas americanas no rumo do ouro olímpico. Final, EUA 3X1 Brasil.
Fim de festa. Olimpíada, só daqui a 4 anos. Com 3 medalhas de ouro, o Brasil teve uma participação boa, apesar da promessa de Carlos Arthur Nuzman de que seríamos, durante sua gestão à frente do COB, uma potência esportiva. Menos, Nuzman, menos.
Simplesmente impressionante o desempenho de STANLEY. Galvão Bueno (argh) disse que o time brasileiro torceu para enfrentar os EUA na final, para “vingar-se” da derrota na Liga Mundial. Se isso for verdade, bem feito para os de Bernardinho.